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Acessibilidade ainda é um sonho distante

Estudo das Nações Unidas com sites no mundo inteiro e em várias categorias reprova 97% dos exemplos, que não cumprem sequer os requisitos mínimos para pessoas com algum tipo de deficiência.
Por Edson Rufino de Souza

A acessibilidade é fundamental por uma série de fatores. Além de permitir o acesso de pessoas com algum tipo de deficiência aos inúmeros recursos da internet, permite que possamos acessar os sites através de dispositivos e navegadores alternativos.

Recentemente, a ONU encomendou um estudo da acessibilidade em nível mundial. Os resultados revelaram uma situação catastrófica: a grande maioria dos sites avaliados não cumpre sequer os requisitos mínimos.

Foram escolhidos 20 países com um nível considerável de desenvolvimento na infraestrutura relacionada à internet. Buscou-se também escolher de quase todos os continentes.

A partir da Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, definida em dezembro de 2006, foram escolhidos sites de cinco setores, considerados áreas importantes na interação de pessoas com a internet: viagens (companhias aéreas), finanças (bancos), mídia (jornais), política (sites governamentais) e vendas (e-commerce).

Em cada um dos países foi escolhido um exemplo por setor, num universo total de 100 sites. Foi assim realizada uma avaliação de conformidade das páginas em relação ao documento que é a referência em termos de acessibilidade, o Web Content Accessibility Guidelines (WCAG), atualmente na versão 1.0.

O documento consiste em 65 pontos de verificação que são divididos em três níveis de prioridade. Cumprir apenas os requisitos de Prioridade 1 designa um site como Single-A. Satisfazer aos pontos de Prioridade 1 e 2 define um site como Double-A. Atender a todos os requisitos, nos três níveis de prioridade, significa Triple-A.

No estudo, foram considerados todos os pontos de verificação e utilizou-se uma combinação de avaliação manual com o uso de ferramentas de validação automática.

Os resultados são realmente alarmantes. Dentre os sites pesquisados, 97% não cumprem sequer requisitos básicos de acessibilidade segundo o W3C, os pontos de verificação de Prioridade 1 do WCAG.

Entre os erros mais corriqueiros encontrados, estão a falta de textos alternativos adequados, informações só acessíveis através de Javascript e contraste insuficiente entre texto e fundo, entre outros. Os resultados podem ser verificados no Sumário Executivo do estudo.

Percebe-se através do estudo que muito ainda há a ser feito para se tornar a web um espaço verdadeiramente inclusivo. Contudo, temos a nosso favor o fato de que a internet é a mídia com maior capacidade de transformação. Cabe a nós promovermos a mudança de perspectiva em direção a uma sociedade de informação para todos.

publicado originalmente no sítio eletrônico Webinsider (UOL, fora do ar, versão do artigo salva no Web Archive)

Sobre o autor
Edson Rufino de Souza (edson.rufino@gmail.com) é mestrando em Design pela ESDI / UERJ, especialista em Design de Interfaces, membro da Comissão de Estudos de Acessibilidade da ABNT e pesquisador da área de acessibilidade digital.

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Acessibilidade e Design Universal na Internet

O acesso à Internet definitivamente deixou de ser algo supérfluo. Com o crescimento vertiginoso da grande rede nos dias de hoje, cresce a gama de funcionalidades e serviços disponíveis na internet e que tornam a vida das pessoas mais fácil. A rede é canal de negócios, oportunidades, trabalho, relacionamentos e até mesmo entretenimento para milhões de pessoas no mundo inteiro.

As pessoas com deficiência, devido à falta de adaptabilidade dos ambientes urbanos às suas necessidades, poderiam se beneficiar do grande número de vantagens oferecidas hoje pela internet. Contudo, para que isso acontecesse de forma plena, seria necessário a consideração dos princípios da acessibilidade na internet.

A acessibilidade para a web tem como objetivo fazer com que os web sites tenham suas funcionalidades e conteúdo passíveis de ser utilizados plenamente por qualquer pessoa, independente de terem ou não alguma deficiência. Os sites devem poder também ser acessados por dispositivos ou navegadores alternativos ou mais antigos.

O World Wide Web Consortium ou Consórcio da World Wide Web (W3C), órgão não-governamental que regulamenta as tecnologias e práticas utilizadas na internet, destaca-se na defesa da acessibilidade na web, através do Web Accessibility Initiative (WAI). Esta divisão do W3C propõe documentos e recomendações para facilitar a construção de web sites acessíveis.

Entre esses documentos, são três os mais importantes:

Authoring Tools Accessibility Guidelines (ATAG) ou Diretrizes de Acessibilidade para Ferramentas de Desenvolvimento Web: este documento se preocupa em como as ferramentas de criação de web sites podem facilitar a geração de páginas acessíveis. Disponível em http://www.w3.org/TR/ATAG10/

User Agent Accessibility Guidelines (UAAG) ou Diretrizes de Acessibilidade para Agentes de Usuário: este documento se preocupa em estabelecer as formas como os agentes de usuário – termo usado pelo W3C para classificar navegadores, media players e demais software usados no acesso a conteúdo na internet – podem incrementar a acessibilidade para seus usuários. Disponível em http://www.w3.org/TR/UAAG10/

Web Content Accessibility Guidelines (ATAG) ou Diretrizes de Acessibilidade de Conteúdo Web: este preocupa-se em estabelecer regras claras para a criação de páginas plenamente acessíveis. Disponível em http://www.w3.org/TR/WCAG10/

Essa tríade de documentos formam a base da política de acessibilidade do WAI/W3C. Contudo, sem dúvida o mais importante dos três documentos é o último, já que estabelece as recomendações do Consórcio para que as páginas possam ser o mais acessíveis possível, independente dos agentes de usuário utilizados na navegação.

Além do trabalho do W3C, iniciativas locais ao redor do mundo têm buscado fazer da internet um lugar cada vez menos excludente. Baseado no decreto 5.296, que trata da promoção da acessibilidade às pessoas que possuem algum tipo de deficiência, o governo federal estabeleceu recomendações locais para a acessibilidade de conteúdo web, com foco nos web sites governamentais brasileiros da administração direta e indireta. Este documento é chamado de , as chamadas e-MAG e pode se encontrado no site do Governo Eletrônico: http://www.governoeletronico.gov.br/governoeletronico/

As listas de recomendações, além de orientarem o desenvolvimento de páginas acessíveis, oferecem critérios claros para a avaliação da acessibilidade de um web site. Sabendo o que se deve ou não fazer na construção de um web site, o especialista pode buscar possíveis problemas e gerar relatórios com sugestões de melhorias.

Neste sentido, são importantes auxílios as ferramentas de validação automática como o Watchfire WebXACT (antigo Bobby) e o brasileiro DaSilva. Ambos são sistemas web que encontram problemas de acessibilidade a partir dos itens contidos nas recomendações de conteúdo web do W3C. No caso do DaSilva, há ainda a possibilidade de buscar prleiblemas com base no e-MAG.

É importante destacar no processo de avaliação de acessibilidade a participação indispensável e fundamental do usuário com deficiência. Por maior que seja a experiência do especialista, as pessoas com deficiência sempre conseguem perceber problemas de interação e até sugerir melhorias que passariam desapercebidas para os usuários sem problemas perceptivos ou motores.

Pessoas cegas podem, por exemplo, acessar páginas na web através de leitores de tela – software que transforma o conteúdo textual da tela em voz através de um sintetizador de fala. Durante a interação, o usuário pode apontar situações onde a página torna confusa ou impossível a sua experiência de navegação. Esta sem dúvida é uma contribuição muito rica, já que as pessoas cegas são as mais atingidas por problemas de acessibilidade na web.

Percebe-se assim que o panorama na internet pode ser mudado drasticamente, a partir da adoção da postura do design universal. Esta postura, longe de propor soluções únicas e absolutas em projetos de design, busca atender o maior número possível de pessoas com uma determinada solução. Quando se atende bem às pessoas com maior dificuldade, também serão beneficiados aqueles que não possuem dificuldades.

Desta forma, o design passa a ser ferramenta de transformação social, ao contribuir na construção de um mundo mais inclusivo e com menos desigualdades entre as pessoas.